Se você decide começar um novo hábito, como correr, qual a primeira coisa que você faz? Provavelmente vai colocar um tênis no pé e… correr. Mas em pouco tempo, vai perceber que a sua respiração está estranha, o pé doendo, suando muito e várias outras coisas que só quem começou a correr (sem conhecimento) sabe.
Então, a fim de melhorar, você resolve pesquisar. E descobre que existem 3 tipos de pisadas, roupas com tecnologias específicas, tênis para o seu tipo de pé, etc. Agora, com esse conhecimento, você consegue fazer ajustes e melhorar a sua corrida.
“Marcelo, calma aí. O que isso tem a ver com hábitos?
A reposta é: tudo.
Se você já tentou criar e mudar seus hábitos, com certeza já se sentiu como um corredor de primeira viagem: animado e pronto pra fazer. Porém começou a tropeçar, achar estranho, difícil e não entendia o que estava errado.
Mas ao contrário do você corredor, que pesquisou e foi entender o que estava acontecendo, a verdade é que a maioria das pessoas desistem. Quando se trata de hábitos, ao invés de buscar respostas, encontram justificativas.
E essa desistência constante acontece por um motivo muito simples: a falta de compreensão do que são os hábitos e como eles funcionam.
Sinceramente, entre nós aqui, você sabe o que são hábitos? Sabe como eles são criados? Pois é isso que você irá aprender aqui. E eu te garanto que após essa leitura, você será uma pessoa completamente diferente, porque entender sobre os hábitos, fará você ser capaz de manipular as peças certas e jogar o jogo dos hábitos da melhor maneira possível.
O que são os hábitos?

Antes de qualquer coisa, você precisa saber que hábitos são formados por três letras, CRR – contexto, repetição e recompensa. Se você jogar no Google, vai encontrar infinitas explicações, mas eu gosto de dizer que:
“Hábitos são comportamentos automáticos(r) e inconscientes, que fazemos em resposta a uma contexto(c) ou situação, pra resolver um problema ou ganhar uma recompensa(r).”
Para entender melhor essa frase, vamos pegar como exemplo o hábito de dizer saúde para alguém.
Contexto: espirro de alguém,
Repetição: dizer saúde,
Recompensa: ser uma pessoa educada.
Outro exemplo? Fila de banco – ou qualquer uma, hoje em dia.
Contexto: tédio da espera,
Repetição: pegar o celular,
Recompensa: ver algo legal.
Agora você já consegue entender porque a maioria das pessoas chegam em casa cansadas e assistem Netflix ao invés de ler, pedem iFood ao invés de ir para a cozinha. Porque em algum momento de suas vidas, experimentaram essa opção e tiveram uma recompensa melhor do que, por exemplo, ler, ir a academia, etc.
Contexto: cansaço,
Repetição: pedir comida/ligar Netflix,
Recompensa: descanso e lazer.
Presta bastante atenção, porque agora você acabou de ganhar um superpoder, ver seus hábitos com um olhar muito mais inteligente, de especialista. É capaz de enxergar que, o docinho no trabalho não é vontade, é estresse; que o videogame não é vontade, é fuga de alguma obrigação. Que suas ações são frutos de um gatilho acionado por um contexto.
Ótimo! Você sabe o que são os hábitos. Mas ainda falta uma peça, que é entender como eles são criados para você poder ganhar um controle ainda maior sobre eles. Vamos lá!
Como os hábitos são formados?

A resposta curta e folgada? Repetição. Mas O Novo Eu não é para preguiçosos e você vai descobrir como os hábitos são formados de maneira detalhada, porque é entendendo os detalhes que você cria consciência e percepção do que está acontecendo com você.
Tudo começa com um problema. Se você leu o primeiro post do blog, já sabe que o nosso cérebro faz de tudo para nos poupar de gastar energia. E resolver problemas gasta muita, muita energia. Por isso, quando ele encontra uma maneira segura de resolver um problema que temos, para não gastar mais energia pensando numa solução todas as vezes, ele transforma essa solução em hábito, compartimentando esse Contexto, Repetição e Recompensa numa espécie de gaveta, numa região mais profunda do nosso cérebro com uma etiqueta.
Calma, calma, calma. Se você não entendeu muito bem, fique tranquilo. Para ficar mais claro, vou explicar isso tudo que acontece com um exemplo bem real: Filas.
O Tédio e a formação e um novo hábito
Quando estamos em uma fila, enfrentamos um problema muito sério, o tédio. Ao surgir esse problema, o nosso cérebro imediatamente cria uma espécie de Assembléia para discutir e encontrar a melhor solução para o nosso tédio.
Dessa assembléia, surgem vários palpites: pegar o celular, puxar assunto com um estranho, ler um livro – todas as opções que pensamos, são na verdade, enviada pelo nosso cérebro.
Então você escolhe puxar assunto com um estranho. Conversar sobre a vida, falar que fila é um saco, etc. Quando você faz isso, seu cérebro dá uma espécie de nota para essa experiência: 7. Foi legal, bacana, ok.
No dia seguinte, você pega outra fila e tudo acontece novamente. Mas dessa vez, você pegou o celular. E agora a nota foi um incrível 9,5. Foi muito mais divertido, tinha exatamente o que você queria ver, foi excelente!
Mais tarde, você pegou outra fila. Como você ainda não repetiu o bastante esse comportamento para se tornar um hábito, seu cérebro entra no modo de argumentação para convencer que o celular é a melhor opção. É quando você se pega pensando: “Não vou falar com ela, é estranha.”, “Essa revista é do mês passado”, “É rapidinho”. Pronto, decidido. Vamos para o celular de novo.
E quando isso acontece repetidas vezes, a Assembléia deixa de existir para pensar no que fazer sobre a fila e diz: “Fila é celular. Não precisamos mais pensar e gastar energia sobre isso. É seguro e satisfatório.” e armazenam essa decisão e comportamento na área dedicada a hábitos.
Gaveta Fila – mexer no celular para passar o tédio.
Então, os hábitos não surgem na sua vida. A verdade é que você os cria, consciente ou inconscientemente, através da repetição de um comportamento num contexto específico para resolver um problema.
E Agora?
Você sabe os elementos que criam um hábito, sabe como eles são formados, chegou a hora de usar esse novo conhecimento a seu favor.
Se você quer começar a ir a academia, trabalhe no contexto e na recompensa para conseguir gerar a repetição desse comportamento. Se quer deixar de fumar, entenda o contexto em que você sente mais vontade e, ao invés de fumar, beba uma garrafa d’água e se dê uma recompensa por isso.
Sua missão agora é olhar para os seus hábitos com um olhar de cientista. Identifique e separe cada uma das três etapas (anote se preferir), e depois teste novos comportamentos e recompensas para substituir os hábitos antigos pelos que você deseja.
O que achou do conteúdo de hoje? Deixe nos comentários sua opinião e terei o maior prazer em responder e conversar com você.
Até a próxima!
Marcelo Dieguez